TT do dia: #10LugaresQueQueroFazerSexo

17 December, 2011 | TT do dia | Sem comentários

Que coisa mais estúpida, banal e alienada essa hashtag que está nos Trend Topics de hoje!

Oba! Segue a minha lista:

  1. No Mar Vermelho. Se a moça estiver naqueles dias, está tudo em casa;
  2. Na praia de Boa Viagem, dentro do mar. A ejaculação precoce é facilmente justificada: “Vai que chega um Tubarão?”;
  3. No escuro. No caso de você pegar uma mulher feia;
  4. No escuro. Se você for feio;
  5. De frente para uma WebCam. Levando um chifre, sua vingança já está pronta;
  6. Em cima de um tobogã. Facilidade em mandar a mulher pastar;
  7. Dentro do Shopping Center, com um cartão de crédito. Facilidade em mandar a mulher pastar [2];
  8. Na Preta Gil. Pra se perder ali dentro;
  9. No programa Agora é Tarde. Para lembrar ao Marcelo Mansfield que o sexo hétero pode ser prazeroso;
  10. No Palácio do Planalto. Já que vivem nos fudendo por lá, quero dar minha lapadinha também.

Quem nos governará?

16 December, 2011 | Liter-atura | Sem comentários

O principal problema – um dos principais problemas, pois são muitos -, um dos principais problemas em governar pessoas, está em quem você escolhe para fazê-lo. Ou melhor, em quem consegue fazer com que as pessoas deixem que ele faça isso com elas.

Resumindo: é um fato bem conhecido que todos os que querem governar as outras pessoas, são, por isso mesmo, os menos indicados para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se tornar presidente não deveria, em hipótese alguma, ter permissão para exercer o cargo. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.

Então esta é a situação que encontramos: uma sucessão de presidentes galácticos que curtem tanto as diversões e bajulações decorrentes do poder que muito raramente percebem que não estão no poder.

E, nas sombras atrás delas – quem?

Quem pode governar se ninguém queira fazê-lo pode ter permissão para exercer o cargo?

* Capítulo 28 do extraordinário O Mochileiro das Galáxias, Vol. 2 – O Restaurante no Fim do Universo. O autor é o não mesmo extraordinário Douglas Adams.

O cinismo do amigo oculto

16 December, 2011 | DesenContos | Sem comentários

- Resolveram fazer um amigo oculto lá na empresa. Cara, há algo mais cínico do que um amigo oculto?

- Tenho um amigo que é funcionário público e recebe R$ 15 mil para trabalhar 4 horas diárias. E nem sempre trabalha “isso tudo”.

- Féla da puta!!! É sério isso? Haja óleo de peroba na cara do cidadão. Mas tudo bem, retirando esse camarada, amigo oculto é o cúmulo do cinismo ou não?

- O nosso governador prometeu quatro hospitais em sua candidatura e só pintou as paredes de dois postos de saúde. O mandato está acabando e o cara está com mais de 70% de aprovação!

- Tás querendo me fuder, Pacheco? Mentira que ele prometeu isso tudo? O cara é tão bonitinho, ia até votar nele novamente.

- Uma gracinha, Soares. Mas na próxima eleição, meu voto é dele. Prefiro ser fudido por um moço apresentável a um velho caindo aos pedações. Concordas?

- Cara, tu é um gênio! Mas vamos focar. Amigo oculto é ou não uma prova de cinismo? Todo ano é a mesma coisa: Ao entregar o presente a pessoa cita características maravilhosas do felizardo. Ano passado mesmo, tirei a vagabunda da Suélen. Não conseguia imaginar em outra loja para comprar…

- Suélen-corremão? Rapaz! Ali é gostosa, hein?

- Sim, a própria bundazuda. Não conseguia pensar em outra loja senão um Sex Shop. Aquela cidadã cheira a sexo! Mas terminei comprando o CD do Zezé di Carmargo & Luciano, afinal…

- Acertasse em cheio! Zezé di Carmago é mais imoral do que qualquer produto vendido em qualquer Sex Shop do Brasil!

- Vai continuar me interrompendo, infeliz? Pois bem, comprei esse maldito CD. E na hora de citar as características? Preparei durante dois dias a minha fala para não cometer nenhuma verdade. Mantive na minha carteira o discurso – entregando um pedaço de papel rabiscado ao Pacheco.

“Minha amiga oculta é cheirosa, está sempre bem arrumada e se relaciona muito bem com todos. Gosta muito de organizar reuniões em seu apartamento, contribuindo assim para o fortalecimento da amizade entre os funcionários da empresa. Malha todos os dias e está sempre de bem com a vida. Está solteira, mas tenho certeza que em breve arrumará um príncipe que cuidará muito bem desse coraçãozinho cheio de amor para dar. Minha amiga oculta é a Suééééélen!”

- Escreveu bonito, hein Soares?

- Pois é! Agora olha o verso do papel. Era o que eu realmente gostaria de ter dito.

“Minha amiga oculta é uma pessoa de chegada. Claro, há 400 metros de distância, você já sente o cheiro forte de seu perfume barato às 9h da manhã. Sim, porque no horário certo essa infeliz nunca chega. Veste-se como uma perua e seu apartamento é mais um bordel, com a quantidade de funcionários da empresa que ela já levou para o abate. Pra mim, ela nunca deu. Também pudera, eu estou na faixa salarial J dessa merda de organização. Para manter essa abundância, malha todos os dias. Entretanto os sinais da idade são notórios e os efeitos da gravidade já estão dando o ar de sua graça. Vai morrer solteira, aposto! Minha amiga oculta é a puta da Suééééélen!”

- Agora sim, reconheço a Suélen em suas palavras. E esse ano, tirasse quem?

- O Patrício. É um garoto, Analista de Sistemas. Fiz um esboço nesse guardanapo sobre a sua descrição para falar antes de entregar o presente:

“Meu amigo oculto é um jovem bastante inteligente e já ganhou a simpatia de todos aqui dentro. Possui uma grande consciência ambiental e adepto a uma dieta macrobiótica. Veste-se naturalmente e o seu gosto musical é refinadíssimo. É um rapaz muito correto em suas atitudes com um futuro promissor dentro da empresa. Meu amigo oculto é o graaande Patrício!”

- Mas Pacheco, esse pirralho é um puta pentelho e já estou com os nervos à flor da pele só em pensar em agradar um cidadão que já entrou na empresa com a faixa salarial F.

Duas semanas se passaram e o dia do amigo oculto, enfim, chegou. Aquele não tinha sido um dos melhores dias para o Soares: Recebera a notícia que sua filha de 15 anos estava grávida de um pai que nem ele mesmo sabe quem é. A fatura de seu cartão crédito havia sido estourada pela sua esposa, mesmo ele lembrando há anos que sua faixa salarial continuara J e, pasmem, a sua sogra acabara de se instalar em sua casa por tempo indeterminado.

Como o Soares não estava com a paciência de Jó para decorar o texto produzido, levou consigo o rascunho daquele almoço com o Pacheco. O amigo oculto dá início e, pra variar, aquela chuva de elogios. “Até a bicha louca do Douglas foi caracterizado como um rapaz alegre e saudável!” – pensou o machista Soares, espantado com tanto cinismo.

Finalmente chegou o momento do Soares rasgar elogios para o Patrício. Ao retirar do bolso o seu lindo discurso, sentiu um calafrio e a palidez em sua pele já era visível a todos. Restavam duas causas para tal sintoma: Passara o dia fazendo a dieta macrobiótica ou o guardanapo escolhido antes de sair casa não era o de elogios. Como o seu almoço foi banhando por gordas costelas de porco, restava apenas a segunda opção.

Sim, o Soares também havia escrito o discurso da verdade, do anti-cinismo, tal qual fez com Suélen, a puta. Pensou por dois segundos, não mais do que dois segundos qual decisão tomar. Ao lembrar-se do dia de cão que tivera e de toda essa artificialidade que o afetava há anos, resolveu partir para o desespero agradável da verdade e deu início à leitura do guardanapo:

“Antes de tudo, gostaria de tecer um comentário: Essa é uma empresa de merda! Estou aqui há 15 anos e minha faixa salarial ainda é a J, enquanto o filho da puta do meu amigo oculto, que chegou aqui há três meses, já entrou com um salário maior do que o meu. Bom, ele tem uma fala de múmia, olhos esbugalhados e puxados para dentro e aspecto de quem vai desmaiar a qualquer momento. Também pudera, só come folha e grãos e só bebe água descansada. Ao invés de aproveitar a idade e se divertir nos puteiros da vida, gasta os finais de semana lutando contra os ruídos que afetam a vida das baleias na geleiras da Antártica. É um nerd de marca maior, se veste como um mendigo de primeira viagem e só escuta músicas cujas bandas não possuem mais de 100 membros na comunidade do Orkut. Nem precisa dizer que nunca comeu ninguém na vida, mas quem sabe a puta da Suélen não resolve o seu problema? Afinal, a sua faixa salarial é a F. O meu amigo oculto é o donzeeeelo do Patrício!”

Silêncio total entre os funcionários, cortado apenas pelo pranto desenfreado do pobre rapaz que sempre ensaiava um desmaio devido à sua dieta peculiar. Suélen, que de besta não tem nada, o levou para sua casa afim de animar um pouco o rapaz e, devido à sua faixa salarial F, bem capaz do Patrício ter resolvido uma das verdades citadas pelo Soares.

Apesar de concordarem com o discurso (claro, era a mais pura realidade!), todos os demais funcionários banalizaram totalmente a atitude do Soares, em um ato que variava do pseudo-moralismo à puxação de saco dos superiores. A demissão por justa causa foi um dos resultados daquele que seria o último amigo oculto da vida do Soares, que já sentia falta de seu pequeno salário da faixa J.

Após alguns meses procurando emprego sem sucesso, decidiu pleitear um cargo à vereador da grande Epitaciolandia, interior do Acre, decidindo de uma vez por todas entrar no ramo dos cínicos profissionais.

Com vocês, Ortinho!

10 December, 2011 | Então cante | Sem comentários

Depois falo sobre esse espetacular artista caruaruense que é o Ortinho. Por enquanto, fiquem com essa música que não sai da minha cabeça.

É a cara do novo Rock Nacional [3]

20 November, 2011 | Então cante | Sem comentários

Não é marcação, mas não consigo ficar quieto (entenda-se: puto da vida) ao ler a matéria abaixo:

Se realmente a arte é um retrato da atual sociedade, então vivemos em uma comunidade onde os jovens são imbecis, babacas e retardados.

Não. Custo a crer nisso.

Por favor, quase senhores, temos arte musical de qualidade nessa década. Que tal escutar Bidê ou Balde, Mula Manca & a Fabulosa Figura, Mombojó, Tulipa Raiz, Do Amor, Novos Bossais, Parafusa, Apanhador Só, Trio Pouca Chinfra e a Cozinha, Marcelo Jeneci, Karina Buhr, Garotas Suecas, Pato Fú, Emicida, Nina Becker, etc, etc, etc… É tanta gente boa e vocês, adolescentes, me vem com essa merda de Restart!?!?

Ah, vão se fuder!

Pensamento oportuno

10 November, 2011 | Avulsos | Sem comentários

Estava eu, confortavelmente sentado na lanchonete preferida das 15h, me entretendo com as escapulidas de Jade (danadinha!), quando chega uma madame e pergunta no balcão:

- Tem suco de quê?

- De maracujá, laranja, caju, cajá, acerola, goiaba, uva, tamarindo, abacaxi, limão e manga.

- Ah, então me dá uma coca-cola mesmo!

E a dona tava querendo suco de pitomba, é?

Não verbaliza, pensamento. Não verbaliza!

Pequenos pecados: Fedelho

1 November, 2011 | Pequenos pecados | Sem comentários

“Todas as crianças são anjos…”

“Criança não tem maldade…”

“Deus ajuda bêbados e crianças…”

Concordo. Por isso, como primeira parte da série pequenos pecados, alguns pequenos relatos de minha infância:

1 – Fiz um projeto arquitetônico maquiavélico nas Casas José Araújo. Enquanto minha mãe escolhia o tecido favorito, fui sorrateiro por trás do balcão e, utilizando um carretel de naylon, saí ligando aqueles suportes de tecidos com réguas, grampeadores  e tudo que encontrava pela frente. Quanto mais ia ligando as coisas, mais ia me empolgando e imaginando a cena. Passei alguns minutos neste trabalho engenhoso. A régua amarela seria o ponto de partida para a destruição. Nem precisei esperar muito e um pobre vendedor foi tirar a medida de um tecido. Acho que, querendo mostrar disposição à cliente, ele puxou a régua com tamanha vontade que tudo foi pelos ares.
Felicidade total!!!
O melhor não foi nem isso: segundos após o ocorrido, chega meu pai ao meu lado, falando mansinho perto de mim: “eu vi que foi você”.  E discretamente me deu os parabéns.

2 – Quando tinha uns 7 anos, ao perder uma partida de dominó de minha irmã, peguei a peça de plástico e arrastei no ante-braço da bixinha. Tenho dó ate hoje! Aliás, não gosto muito de perder. Confesso que sou um estilão. Reiniciei o video-game (com três amigos me segurando para que eu não fizesse isso) no meio de uma partida que estava perdendo quando achei que roubaram contra mim. Isso foi semana passada, jogando FIFA 2011.

3 – No Jardim da Infância, sentado encostado na parede, veio minha amiga Vivian correndo a todo vapor, com um saquinho de Pingo D’Ouro na mão. Olhando pra baixo, como quem não quer nada, estiquei a perna, coincidentemente, quando a galega passava. A coitada voou longe. Foi Pingo D’Ouro pra tudo que é canto. Na mesma rapidez que caiu, ela se levantou e continuou a correr. Devia tá se cagando. A professora veio até a minha pessoa, se abaixou e falou cuidadosamente: “Não faça isso de novo, tá bom?”. Aprendi e nunca mais repeti.

4 – Meus amigos de rua eram “os caras”. Certo dia, pulamos a casa do vizinho e subimos até o topo da árvore para pegar umas mangas. Nem de manga eu gostava, mas ia só pela aventura. Antes de subir, entretanto, peguei um arame que estava solto no chão e amarrei o trinco da porta (aqueles com um formato que prendem com cadeado). Só a empregada da casa estava na hora, mas ela não podia aparecer, já que estava impedida de sair pela minha “brincadeirinha”. E não saiu por dois dias, pois os patrões estavam viajando e só voltaram depois do feriado.

5 – O nosso time de futebol jogava em lugares inenarráveis (se minha mãe sabe disso, hoje, eu levo um esporro acumulado). Um deles foi em uma boca de fumo. Ganhamos de 2×1 e aquela foi uma de minhas melhores partidas. Entrei em campo me mijando de medo e, após dar dois banhos em um jogador que tinha a cara do Zé Pequeno, simulei uma contusão e pedi pra sair. Criança, assim que cheguei imaginei aquele campo como o local mais perigoso que havia colocado os pés. Para minha grata surpresa, eram todos gente boa! Inclusive o Zé Pequeno, que após a partida veio me cumprimentar. Fiquei bom num instante!

É a cara do novo Rock Nacional [2]!!!

20 October, 2011 | Então cante | Sem comentários

Depois que o Lobão falou o óbvio, mais uma prova da imbecilidade e ignorância dessa “nova cara”:

Tu se garante?

10 October, 2011 | Infames | Sem comentários

Sábado à noite em casa é deprimente. É pior do que beber sozinho em mesa de bar. Do que sair de casa e esquecer de passar desodorante. Ou de cagar na casa da sogra e não ter papel higiênico no banheiro.

Enfim, uma noite de sábado caseira (e solitária) é foda. Mais ainda quando você a desperdiça assistindo ao hilariante Zorra Total. E pode piorar: quando você começa a rir do programa. Aí é fato consumado que você precisa de ajuda. E a ajudinha veio em uma propaganda:

Inscreva a sua banda no I Festival da Faculdade Bravo Mendes! Inscrições até o dia 9 de Julho!

Na hora me levantei do sofá e, aproveitando que o meu programa favorito não tinha voltado, liguei para o Perreira:

- E aí, meu irmão? Tu se garante em fazer uma música própria? Vai rolar um festival e estou sentindo que podemos ganhar.

- Me garanto! E tu?

- Posso te ajudar. Levo o papel e a caneta e o resto é contigo!

O detalhe é que o dia 9 de Julho era uma Quarta-Feira. Estávamos em um Sábado e tínhamos pouquíssimo tempo para compor três músicas. Sim, tive a brilhante ideia de ler o regulamento e precisávamos enviar uma gravação de três músicas próprias. Indo para a casa do Perreira, a empolgação não cabia em mim. Já pensava no Arquivo Confidencial do Faustão, nas aparições especiais nos filmes de James Bond (se Carlinhos Brown fez uma pontinha em Velocidade Máxima 2, o mínimo que vislumbraríamos era aparecer em uma das sagas do famoso espião), e, principalmente, das calcinhas jogadas no palco.

Chegando lá, de bate-pronto, já fizemos uma música. Uma puta letra de corno, que não lembro o título, mas que dizia mais ou menos assim:

Pra que viver assim, você abusou de mim
Chorar já é o meu passado, estou melhor sem ti
Você brigou demais, sem nenhuma razão
E agora diz: “Me arrependi! Volta pra mim!”

Linda! Maravilhosa! Estupenda! Dor de corno tem as suas vantagens! Olha aí!!!

A segunda música veio logo depois. Pegamos o livro A Vida é Breve, de Jostein Gaarder. Esse livro que serviu de inspiração foi presente de uma bandida para mim, com uma dedicatória na contra-capa que, logo depois, noivou com outro. Até que a desgraçada serviu pra alguma coisa: inspiração de duas músicas. A música, intitulada Breve Vida, começava assim:

Me diz como degustar
O livro de capa azul, a dedicatória escrita a mão
nas primeiras paginas
Me diz como fazer
julgamento impreciso por não te ver feliz

- Puta que pariu, Perreira. Tamo ficando bom nisso, hein?

- E apoi!

Ainda restava mais outra. A última para acabar. E qual foi o título que demos a ela? Última! Pegamos uma música de um cantor inglês, que não lembro de jeito nenhum quem foi, e mudamos a letra em cima da música. Assim, na cara-de-pau mesmo.

Você achou as duas primeiras horríveis? Pois ainda bem que não lembro de absolutamente nada da nossa querida Última.

Dessa, caro leitor, você escapou.

Músicas prontas, cervejas na cabeça e missão cumprida. Restava agora ensaiá-las. E agora é que a brincadeira ia começar de verdade…

Pena que perdi ai a última parte de Zorra Total.

Pedido de um Ébrio

1 October, 2011 | Liter-atura | Sem comentários

Quem nunca foi apresentado à Literatura de Cordel não sabe o que está perdendo. Se você gosta dos contos do grande Ariano Suassuna, por exemplo, vai se deleitar com as histórias desses poetas do cotidiano. Basta uma primeira degustação e o vício se instala.

Para quem quiser se aventurar por essas bandas, recomendo o site da ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel).

Um dos melhores cordéis que tive o prazer de ler é de um grande amigo chamado Alexandre Cordel. Em todas as festas, bares, encontros, missas, enterros e afins, não há aquele que não implore: “Cordel, recita aquele poema do bêbado”. Melhor ainda é ele recitando. Em breve, com sua devida autorização, coloco um vídeo de uma de suas atuações. Simplesmente imperdível.

Com vocês, Pedido de um Ébrio:

Um belo dia ao passar
Em uma bela avenida
Avistei dentro de um bar
Muita gente reunida
Quase invadido o salão
No meio da reunião
Um sujeito ainda novo
Já bastante embriagado
Falando entusiasmado
E fazendo um pedido pro povo

Quando o golpe assassino
Da morte me degolar
Não mande bater no sino
Também não deixem rezar
Esse negócio de vela,
De flor, rosário e capela.
Não bote perto de mim
Bote ponche e aguardente
Essas coisinhas somente
De bar e de botequim.

Mande fazer meu caixão
Com um modelo diferente
Em forma de um botijão
Com rótulo de aguardente
E pra ficar do meu agrado
Desenhe um galeto assado
E um vidro de pimenta
E escreva em cima da tampa
Pitu e chorando a rampa
E recordação de quarenta.

Quando o corpo ou ataúde
Para um pouquinho na praça
A bem da minha virtude
Cante o hino da cachaça
Aguardente imaculada,
Milagrosa, consagrada,
Santa, divina e pura.
Perdoe esse inveterado
Que agora vai ser jogado
Nas chamas da sepultura.

Ainda existe um mistério
Não gosto de campo santo
Acho triste o cemitério
Me leve pra outro canto.
O enterro continua
Quando verem em plena rua
Parar todo o movimento
Quero não ver guarda nem soldado
Que eu quero ser enterrado
Na porta de um enchimento.

Mas se for pro cemitério
Chame o coveiro urgente
Pra guardar no necrotério
Três grades de aguardente
Pague o quanto ele cobrar
Pra todo dia ele ficar
Cumprindo esta obrigação
Da cova afastar a terra
E com pitu e com serra
Ele aguar meu caixão.

Quero nessa ocasião
Todo mundo embriagado
Caindo com o caixão
Cantando verso de gado
E depois que me sepultar,
Comer, beber e farrar
Depois da festa encerrada
Deixar o túmulo composto
Com resto de tira-gosto
Copo e garrafa quebrada.

Se para o céu eu subir
Pra com São Pedro falar
E pra mim a porta ele abrir
E me disser: – Pode entrar.
Eu digo: – Quero beber
Se ele vier me dizer
Não tem pitu aqui dentro
Volto em menos de um segundo
Eu fico é vagando no mundo
Mas lá no céu eu não entro.

“É a cara do novo Rock Nacional!!!”

24 September, 2011 | Então cante | Sem comentários

Dizia saltitante alguma senhora em relação ao Restart. Ré quem? Vá se fuder, sua eXtúpida!

Pensei em um milhão de coisas para escrever sobre essa nova cara de completos imbecis. Mas tem um carinha que consegue falar infinitamente melhor sobre toda essa porqueira.

Como faz falta gente assim em nossa música.

Alguns trechos sensacionais:

“Para você viabilizar a sua música no Brasil você tem que parecer meio estúpido, inofensivo e babaca….”

“Aquele Rock’n Roll? Qualquer coisa que é bom é assim. E ponto! “

“O problema é ser BABACA!”

“Vai tomar no cú! Vai ser problemático. Vai sofrer de amor. Vai lamber meio-fio. Vai lamber beira de pinico pra se tornar gente. Virgem existencial é a pior raça que pode ter. Uma pessoa que nasceu em branco, continua em branco e é feliz porque está em branco. Esse cara é o cocô do cavalo do bandido.”

“Pior é você está de cara lavada como Fiuk e ser um tremendo babaca naturalmente!”

E eu querendo dissertar sobre o assunto…

Ambiente Comum

20 September, 2011 | Infames | Sem comentários

Acorda, levanta, lava o rosto
Eu quero te ver de alma limpa
Para enxergar o teu bom dia

Tira a toalha do rosto
Vem com um ar de graça e alegria
Esquece o pesadelo que te fez chorar
Olha a verdade, eu ainda te amo.
Olha, a verdade é que ainda te amo.

Esquenta água, faz um chá
Senta e atiça minha paciência
Levanta, corre, vem aqui brincar

Calça a meia, bolsa nova
O mesmo perfume pra eu cheirar
Minha casa, tua morada, muito riso, nenhum chorar.

Vem, hoje quero o que sempre tivemos
Beija a saudade do que está aqui
Escuta só, você já sabe

Olha a verdade, eu ainda te amo.
Olha, verdade, eu ainda te amo.
Olha, a verdade é que ainda te amo.

I have no car, I have no job, I have no money…

9 September, 2011 | Infames | Sem comentários

…But I’m in a band!

Certo dia, eu e o Perreira estávamos, em um show de uma banda fuleira qualquer, afogando as mágoas dos últimos relacionamentos fracassados. Desses que faz você, estupidamente, afogar as mágoas em um show de uma banda fuleira qualquer.

Até que de repente ambos observaram a mesma coisa: “Mas tem é mulher na frente do palco, né?”. E como nós dois nos dávamos muito bem (inclusive na dor de corno), falamos, juntos, um para o outro: “Então vamos montar a nossa banda!”.

“Verde!”, respondi sagazmente e toquei em minha blusa cor da esperança. Eita que sou esperto demais!

Continuando o assunto, começamos lá mesmo a prospectar nossa banda. E eu comecei a viajar: “Um som com instrumentos psicodélicos, baratos e festivos”, “Algo popular como Reginaldo Rossi, mas com a inteligência de Tom Zé”, “Podemos fazer algo novo, diferente do que está no mercado…”.

Eis que Perreira, com o triplo do meu QI, interrompe:

“Primeiro: Que porra é essa?!? Psicodélico, barato e festivo? Leva um LSD pra algum aniversário de pobre!”
“Segundo: Diz uma música de Tom Zé.”
“E por último: Algo diferente? Eu quero é comer muié!”

Ele, como sempre, estava certo.

Prosseguimos em nosso sonho e ele me perguntou: “Qual o instrumento que você sabe tocar?”. E eu respondi: “Nenhum! Mas isso é besteira…”. “Verdade, é besteira. Inclusive quando tu conseguir alguma mulher com a banda, pode jogar o pau fora quando tu for comê-la… Vai precisar pra quê, não é verdade?” – rebateu o meu grande amigo.

Depois de 30 segundos imaginando como seria isso, percebi o sarcasmo: “Tou te falando isso porque quando os caras dos Los Hermanos resolveram montar uma banda, nenhum deles sabia tocar nada.”. “Que mentira da porra!” – respondeu Perreira. “Mas bem que poderia ser verdade, hein? Vamos espalhar?” – retruquei.

Gargalhei com aquela minha ótima piada. Do outro lado, Perreira respirava fundo, mas sabia que dali poderia sair alguma coisa divertida. E, apesar de irmos de ônibus àquele show, do dinheiro escasso para beber por sermos apenas estudantes…

Nós agora tínhamos uma banda!

“Lembrei!!! Não fique de boca aberta ô Zé, lá lá lá lá lá…. Isso é Tom Zé, né não?”

Cabelos, Costas, Coxas e Calcanhares

1 September, 2011 | Infames | Sem comentários

Contrariava e ria por dentro
Do inventar o que não sabia
E descobrir o ir embora nesses
Dedos doidos de escrever por
Teus cabelos, costas, coxas e calcanhares

Nas mãos que não percebem a continuação
Dos beijos, boca, braços, busto e barriga
Onde descansa minha vontade

Dedos e mãos desentendidos
Sobre onde se inicia o passeio
E votam por teus quadris
Como a estação mais próxima dos meus anseios

Se o beijo causa confusão,
Bem vinda confusão
Meu equilíbrio e paz como dívida
por mais um pouco da tua saliva
por outro encontro com tua lingua

Eu quero o da foto

17 August, 2011 | Avulsos | Sem comentários

Quinta-Feira, sete de janeiro de 2010, onze horas da noite. Você trabalhou que nem um condenado e não jantou ainda. Tudo o que você quer é uma refeição rápida para dormir o quanto antes. E acordar o quanto depois.

Chego na McDonald’s e olho a foto do novo sanduíche: Capricho Italiano.
capricho_italiano

A boca salivou. Esse molho deve ser magnífico. A massão do pão tem uma forma de pura leveza. As verduras fresquinhas devem dar aquele toque final. Um primor de sabor! Um sanduíche suculento, com um aspecto que faz até o mais chato dos vegetarianos desejarem uma pequena mordida. Escondida, é claro!

Com a baba caindo pelas tabelas, peço entusiasmado:

- Um Capricho Italiano. No capricho!

E aí me vem essa merda:
capricho_italiano2

Bom, e aquele suculento molho, cadê? Tá aqui, ó:

capricho_italiano3

Capricho Italiano?!?!? Os habitantes do país da bota não merecem isso. Pavarotti deve estar se revirando no túmulo. Pato, Ronaldinho, Dida, Julio César, Diego e Felipe Melo serão deportados de volta ao Brasil (se bem que o último poderia ficar por lá mesmo). E o mais grave de tudo: não me deixarão comprar aquela Ferrari F50. Desgraçados!!!

É bom pra aprender. Quem manda fazer a única refeição do dia em uma junk food? Certo está meu pai, que sempre diz: “Comida boa é aquela que faz bosta, meu filho!”.

Então tá.

Ela não gosta de cheiro no cangote

7 August, 2011 | DesenContos | Sem comentários

kiss_neck2Bom, eu não gosto de Chocolate. “Mas como uma pessoa não gosta de chocolate?”, “Chocolate é a melhor coisa que já inventaram”, “E a Fantástica Fábrica de Chocolates?”, “E a serotonina?”. Se eu depender de chocolate para que as células do meu cérebro se comuniquem, estou perdido. Vai ver é por isso que sempre começo a fazer uma coisa e nunca termino: é que as células falham na comunicação até o destino final. E até hoje tenho pesadelos com os anões daquele maldito filme!

O meu primo não gosta de pizza. Isso sim, é um despautério! Pizza é que nem sexo: até quando é ruim, é bom! Tenho amigos que passam horas e horas em um rodízio. Calabresa, mussarela, portuguesa, francesa, italiana, israelita, guatemálaca, de brigadeiro, de doce de leite, de brigadeiro e doce de leite. E depois retomam tudo de novo: calabresa, mussarela, portuguesa… Ficam nesse círculo vicioso até a hora que são expulsos e saem rolando da pizzaria. Êêê cambada!

Ok, mas é da família e vamos respeitar o grandissíssimo-filho-da-puta-que-não-gosta-de-pizza.

Ross, personagem do seriado Friends, não gosta de sorvete! “Dói meu dentes”, ele explica enquanto os amigos tentam digerir a informação. Já presenciei quem não gostasse de praia, de cerveja, de massagem, dos Simpsons e até mesmo quem não gostasse do Bush! Caramba, o Bush é o The One fora do Matrix. Aquele esquive da sapatada jornalística foi algo de outro mundo.

Bom, mas vamos ao que interessa.

Tempos atrás, tive um pequeno relacionamento. Uma morena linda: o corpo parecia esculpido por um artista de primeira linha, o seu rostinho angelical criava uma atmosfera impiedosamente perturbante. Era uma avião!

Com um pouco de conversa e bastante cerveja, a timidez calou-se, a intimidade começou a se intrometer e eu, que não sou besta, comecei a me aproveitar. Naqueles afagos embriagados, subitamente, a morena com rosto angelical encosta o ombro no ouvido, fazendo um ar de quem comia um grilo cru pela primeira vez. Intrigado, dei dois passos para trás. Fingi que vi alguém de longe e, com aquele sorriso largo, acenei: “Graande Jorge!”. Quando a morena de corpo esculpido por um artista de primeira linha foi procurar o tal do Jorge, virei o pescoço para o lado direito e prontamente verifiquei, numa fungada alá Maradona, que falta de desodorante não era o motivo do seu ar de pequena irritação.

“Vamos ao segundo round!” – pensei. Antes de chegar em seu pescoço, ela fez novamente aquele movimento, ligando o ouvido ao ombro. Neste exato momento, informei: “Olha, meu Rexona quantum 24h ainda está ativo. O que foi então?”. “É que morro de agonia em beijos no pescoço” – respondeu.

Meu mundo caiu! Tudo bem alguém não gostar de chocolate. Já até admito um ser não se deliciar com uma fatia de pizza ou não achar o Bush um cara do bem, mas uma mulher não gostar de um cheiro no cangote é demais!

E todo o ritual “1. Beijo na bochecha-> 2. Na boca-> 3. No pescoço -> 4. Mão na bunda -> 5. E viva a felicidade…”? Se eu passar direto para a mão na bunda, pulo uma etapa de um processo já estabelecido desde a época da criação do homem! A própria Eva, antes de comer a maçã, passou por um esquente antes. E se lambuzou depois.

Aquela noite foi um tormento. Imaginei fórmulas de pontuação para pular ao estágio 4 sem passar pelo 3. Algo do tipo “Se eu preciso beijar o pescoço 5 vezes para passar a mão na bunda da morena que criava uma atmosfera impiedosamente perturbante, quem sabe beijando a boca 15 vezes eu não consigo a mesma pontuação para atingir a quarta fase?”. Infelizmente, não deu certo.

Tentando acostumá-la com o processo, saímos algumas vezes, sempre em um clima de romance total. Entretanto, faltava algo: chegar ao mestre do jogo. Tentando alcançar o objetivo, invariavelmente precisaria passar pelo estágio 3. Entretanto, a cara de grilo cru era sempre a mesma.

Certo dia, fomos ao cinema. Ao subir a escada rolante do Shopping, como um grande cavalheiro, deixei-a passar na minha frente. Nessa hora, a morena avião arrumou seus cabelos e os arremessou para o lado esquerdo. O lado direito daquele lindo pescocinho estava lá, livre, cheiroso, iluminado! Além disso, eu juro que vi uma seta rodeadas de neon para aquele local que precisava de todo jeito ser explorado. Neste exato momento não me contive em realizar um tratamento de choque, um verdadeiro ataque surpresa para curá-la de todo esse mal: segui meus instintos, abocanhando ferozmente o cangote da menina. Logo após a investida, ela parecia que comia não um grilo, mas um caldeirão de baratas brancas e se tremeu toda, perdendo o equilíbrio e se jogando para trás. Lembrei-me do Bush e me esquivei rapidamente, segurando com as duas mãos o corrimão esquerdo da escada. A morena passou direto, rolando degraus abaixo e, tal qual uma bola de boliche, arrastava os menos ágeis consigo. Vendo toda aquela cena de rolagem de rochas em ribanceiras, em um súbito déjà vu, comecei a escutar a trilha sonora do Indiana Jones: “Tã tã rã rãã, tã tã rãããã…” e torci: “Do chão não passa! Do chão não passa”. E não passou!

Desmaiada e com algumas escoriações, ela e outros três pinos sofriam naquele chão de Shopping. Quando os primeiros socorros chegaram, só escutei os populares: “Quem foi o miserável que causou tudo isso?”. Antes da pergunta terminar, já estava em meu carro, aliviado em saber que a ex-futura dona do meu lar estava em boas mãos.

A última notícia que soube é que minha deusa tinha saído do coma e já respirava sem a ajuda aparelhos. Se não fosse a minha grande agilidade no esquive, eu poderia estar naquela cama do hospital também. E ainda há quem fale mal do Bush.

No divã do dentista

1 August, 2011 | DesenContos | Sem comentários

aparelhoPor sete anos da minha vida, dos oito aos quinze, meus dentes foram camuflados por barreiras intransponíveis de aço. Pois é, todo esse exagero por simples aparelhos dentais são ocasionados por um passado pouco confortável: bolada na cara nas peladas era sangue transcorrendo aos montes. Inclusive os bancos de sangue da cidade sempre ficavam à beira do campo, esperando mais um ato de cidadania da minha parte. Pior ainda era quando as tiras de aço soltavam, se agarravam em minha bochecha e raspavam meio quilo daquela pele interna. Eram duas semanas das piores aftas. Aliás, pior do que as aftas são os seus remédios. Além de arder horrores, eu tinha a impressão que eles as alimentavam ainda mais. Quem sabe um complô da medicina moderna com os fabricantes de remédios. Vai saber…

Sem falar na mulherada. Todas elas odiavam o meu “beijo de lata”. Bem… na expressão todas, nesses sete anos, entenda-se duas. E uma delas um selinho naquela brincadeira “Caí no poço. Quem me tira? Meu bem!”. A pobre menina teve a infelicidade em me escolher. Após duras penas, deu um selinho e saiu correndo para casa. Aos prantos.

Mas vamos falar da parte boa desse tempo. E ela tem nome e sobrenome: Dr. Calado Fragoso. Dr Calado, além de grande cirurgião-dentista, era um professor do cotidiano, mestre da vida alheia e um sábio da malandragem. Sentado em sua cadeira, sempre me explicava vários assuntos: do cocô à bomba atômica. Era incrível, mas ele sabia de tudo. E o melhor era que eu nem precisava responder. Só escutava. Óbvio, pois não há como manter um diálogo com o seu dentista. Ele fala e você só responde: “arrãmmm”. Com a boca cheia de babas e ferramentas. No máximo um aperto nos olhos, indicando sinal de alegria. Ou arregalando-os, mostrando sinal de surpresa. É como eu sempre digo: para o dentista, o seu consultório é o momento de psicanálise. Do dentista. Um lugar que apenas ele fala e o outro simplesmente concorda. Igualzinho a uma terapia. Mas dessa vez, quem escuta ainda ainda tem que pagar.

Mas com Dr. Calado eu fazia gosto em pagar. Não tinha nenhum remorso em não desviar em video-games o dinheiro pago todos os meses, na saída da consulta. Não houve fase mais produtiva em saber na minha vida do que esse tempo. Se ele fazia uma auto-análise, eu também era beneficiado com isso.

Certo dia, ao começar os procedimentos, ele pergunta: “Viu aquela menininha na sala da recepção?”. Dei duas piscadas nos olhos, indicando sim (aprendi isso em algum filme). E ele continuou (acho que viu o mesmo filme também): “Ela é uma menina extraordinária”. Na hora pensei: “Opa! Dr. Calado quer dar uma forcinha no pega-ninguém aqui”. E prosseguiu: “É bonita, de uma boa família, bastante educada. Só tem apenas um defeito…”. Na minha mente só veio que ela tinha um bafo do cacete. Para mim, isso era o de menos. Halls está aí pra isso. Mas o defeito, infelizmente, não era esse: “Ela é muito inteligente” – e continuou – “Mulher inteligente dá um trabalho da porra!”.

Fiquei com aquilo na minha cabeça por anos até descobrir, na pele, que ele estava certo mais uma vez. Os relacionamentos viraram verdadeiras catástrofes com todas as mulheres inteligentes com quem me relacionei. Ora vinham discutir o que aquela banda irlandesa quis dizer naquele trecho da música, ora se irritavam com meus erros de português. Algumas vezes colocavam-me na parede com questionamentos que eu só entendia a interrogação. Outras, nem me perguntavam porque sabiam que o meu intelecto não daria conta do recado. Uma delas, certa vez, irritou-se demasiadamente (foi assim que ela se expressou) ao ser perguntada o que eu achava sobre a crise política que se alastrava em todo continente asiático. E, óbvio, dei a resposta padrão: “A culpa é do FHC”. Outra, em uma Discussão de Relacionamento (a famosa D.R.), indagou o seguinte: “O seu ponto de vista parte de uma premissa totalmente equivocada, tornando nulo qualquer argumento posterior que você venha a tecer.”. “Fudeu!”, foi a única resposta que pude “tecer”.

Só de picuinha, tentei várias vezes ir contra os ensinamentos do meu grande dentista. Quebrei a cara em todas as tentativas.

Quanto mais você envelhece, mais culpa, dúvidas, loucuras, mulheres inteligentes e todas essas baboseiras vão recheando a sua mente infeliz. Minha recomendação é sempre essa: para problemas pequenos, uma simples obturação pode resolver. Um pouco maiores, quem sabe um canal? Agora para aquelas cabeludas, tente um aparelho ortodôntico. Todos os seus problemas se resolverão e, de brinde, você ganhará dentes fortes, lindos e refrescantes. E viva o Dr. Calado!

Semântica é tudo

21 July, 2011 | Avulsos | Sem comentários

Segundo o Wikipedia, a semântica (derivado de sema, sinal) refere-se ao estudo do significado, em todos os sentidos do termo. A semântica opõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é expresso (por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva, por exemplo, estudam o mesmo fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes.

Para ser bem sincero, prefiro simplificar. O PCI, mesmo com todas as Sinonímias, Antonímias e Homonímias, resume: Semântica é o estudo do sentido das palavras de uma língua.

Hoje li uma matéria no G1, com o título Diretor demite Lindsay Lohan de filme. A Lindsay Lohan é essa aí da imagem, com cara que chegou da boate às 8h da manhã, cheia de Red Bull no quengo. Segue parte da matéria do G1:

O diretor disse que “a equipe decidiu demitir a atriz e que uma substituta será divulgada em breve”. Lohan, de 23 anos, interpretaria uma universitária trabalhando em uma ilha deserta. O site TMZ afirmou que a demissão foi provocada pela falta de confiança dos investidores do filme na atriz. Eles acreditam que o fato de ela estar no filme prejudicaria a bilheteria

Mas o que chamou a minha atenção foi o último parágrafo da notícia:

Lindsay Lohan vem enfrentando uma série de problemas pessoais. O último ocorreu há dois dias, quando o seu pai foi com a polícia na casa da atriz para averiguar o bem-estar de sua filha caçula, Ali, de 16 anos. Lohan não estrela em um filme desde 2007.

No mesmo instante iniciei uma contagem: dezessete, dezoito, dezenove… vinte e três!!! Ou a viciada em energético teve o seu último filho com singelos oito anos de idade ou há algo de estranho. Lendo novamente, você supõe o óbvio: Ali, de 16 anos, é irmã da Linda.

Eu sei, estou com sono e poderia ter percebido isso na primeira leitura. Mas não o fiz e odeio precisar pensar.

Tou errado, Krug?

Carro, Cachaça e Carnaval

1 July, 2011 | DesenContos | Sem comentários

Dava pra listar por três folhas de papel pautado, frente e verso, situações pitorescas que aconteceram comigo com a interseção dos conjuntos Carro, Cachaça e Carnaval. O que é papel pautado? Pergunta pra tua mãe…

Isso não foi um xingamento. É pra perguntar mesmo!

Certa vez, pré Lei Seca, inventei de ir de carro para uma prévia de carnaval. A festa era no meio da rua e tinha certeza que não beberia neste dia. Aquela mesma certeza que você não pegará aquela ex do seu amigo, super gostosa, que está dando mole pra você há dias. Aquela mesma certeza da época de colégio que “amanhã eu vou estudar”. Ou aquela mesma…. Ah, já deu pra entender.

O que importa é que na volta para buscar o carro, ele não estava no local estacionado. “Mas como pode isso?”- pensei! Andei para um lado, andei para o outro. Fui até o final da rua e voltei por três vezes e nada do meu carrinho. Comecei a ficar preocupado.

Perguntei ao povo que passava. Nada de novo, apenas a garantia que essa festa era coisa do cão. Cada hora passava uma diabinha diferente atiçando o meu pobre juízo. E eu nem podia aproveitar, porque o carro não estava lá! O flanelinha responsável pela área estava mais bêbado do que eu. A essa altura do acontecimento, aliás, a cachaça já tinha passado e eu já pensava em uma desculpa para dar a meu pai. Sim, o carro era dele. E isso não era bom.

Até que me invoquei e liguei para a polícia. Informei o ocorrido. Li a plaquinha com o nome da rua pra pobre moça do telefone que trabalhava em pleno pré-carnaval (se bem que foda mesmo deve ser trabalhar no carnaval). Dei o número da casa em que meu carro estava estacionado em frente. Missão cumprida e o negócio era esperar.

Dois minutos depois escuto a voz do meu amigo: “Ô animal, cadê tu?”. “Aqui na tua frente, tás vendo não?” – respondi arretado por tudo aquilo. E aí ele faz a pergunta derradeira “Fazendo o que se o carro está do outro lado?”.

Ui! E não é que estava mesmo? Exatamente na paralela seguinte à rua que eu insistia em procurar. Torci para que a polícia provasse sua ineficiência e não aparecesse. Indo agora no sentido correto, avistei o carro de longe e quase choro de emoção. Chegando mais perto, percebi que duas pessoas se encostavam nele. Mais perto ainda, tomei um susto. Eram mocinhas do tipo Deus-fez-o-vento-espalhou-e-o-diabo-juntou. Acho que neguei tanta diabinha, preocupado com a situação, que o inferno se vingou. E di cum força!

“Mas que porra é aquilo, José” – perguntei ao meu amigo apaixonado. “Tu tá doido, é? São as meninas que a gente conheceu aqui. Tu até pediu uma delas em namoro! E a tua nos chamou pra esticarmos a noite na casa dela….”. “Sangue de Cristo!!!” – exclamei assustado. Mas aí é aquela coisa: Missão dada é missão cumprida. Se a cachaça tinha passado, bota mais cerveja pra dentro que tá tudo certo. Motorizado, alcoolizado e com uma recém-linda ao lado, o que mais queria da vida?

O perigo era apenas ficar sóbrio novamente.

Pequenos pecados: uma visão geral

Dia desses, percorrendo o belíssimo Estuário do jornalista Samarone Lima, deparei-me com um post sobre os pequenos pecados que, diariamente, cometemos. Aquelas coisinhas bestas da vida, que não fazem mal à ninguém. Ou a quase ninguém, somente àquelas [irritantes] pessoas do bem. Entenda, eu falei do BEM, não do DEM!

De bate-pronto pensei: “Vou fazer a mesma coisa e listar alguns pecados não capitais da minha vida”. Em meia-hora já eram tantos assuntos que resolvi organizá-los em categorias: Fedelho, Mulheres, Faculdade, Cerveja e Pilantragens & Afins. Nas próximas encarnações desse blog, portanto, compartilharei tais estripulias.

Aliás, por causa desse post do Samarone que passei uma semi-vergonha recentemente. Acho que se encaixaria em Pilantragens & Afins. Lembrando que todas os pequenos pecados serão descritos em frases curtas, apenas com esse me prolongarei um pouco mais:

Precisei ir ao Rio há duas semanas. Como eu não tinha reservado a cadeira, pedi para a moça no check-in alocar-me na janelinha. Assim ficaria mais fácil para jogar o chiclete fora quando estivesse sem gosto. Ela me informou que não tinha, mas como o avião faria escala em Brasília, poderia colocar-me no trecho Brasília-Rio. Aceitei na hora!

Quando o avião chega na capital das Fanfarras, mudo logo para a minha janelinha. Ê felicidade!!! E a felicidade maior veio quando, ao meu lado, vi que alguém tinha deixado algum livro. Não lembro o título, o autor, muito menos a editor. Só sei que o livro tinha uma capa em preto e branco. Ou seria colorido?

Confesso que a minha primeira reação foi agir tal qual uma pessoa do bem: avisar à aeromoça sobre o livro esquecido. Um livro que seria depositado nos achados e perdidos da companhia aérea e que, em curto prazo, serviria de apoio para a marmita proletária. Foi aí que o DEM entrou em cena e, juntamente com a lembrança dos pequenos pecados do Samarone, resolvi investigar um pouco livro.

Abri o objeto de meu desejo e verifiquei que existia uma dedicatória. Li um pouco e em seguida coloquei-o à minha frente. De repente, não mais do que de repente, surge uma simpática gordinha ao meu lado. Olha para o seu acento vazio e para o meu colo ocupado. Em seguida, levanta a sua visão para a minha cara. De pau. Virei-me, passei óleo de peroba nas faces do rosto e disse: “É seu?”. E a simpática rechonchuda disse que sim, com uma cara que pensava sabe lá Deus o quê.

Coitada, deve ter ido ao banheiro e se entalado naquela imensidão de latrina aérea. Enquanto isso, um salafrário tentava cometer mais um pequeno pecado.

Com vergonha, querendo me esconder nos pneus da aeronave, fingi dormir a viagem inteira. Até uns roncos ensaiei.

No hotel, ainda humilhado com a situação, ligo a televisão, começa a propaganda política… e aí me conforto: “E eu com vergonha de um simples pecadinho.”

De novo?

15 June, 2011 | Avulsos | Sem comentários

Não foi repaginado.
Muito menos remodelado.
E nem tampouco salivado.
Mas recuperado por tempo determinado.

Nesse boteco toca Raul?